3 de nov de 2011

Amor no ponto (de ônibus)

Quero um amor cafajeste
Desses que não ligam depois do cigarro
Depois do gozo.

Amor que anoitece na alcova
E amanhece na calçada,
Cheirando à batata frita e gasolina.
Sem ligar.

Amor de ventania,
Plantado na areia movediça,
Regado à vodca e canabis.

Amor absurdo, sem confiança,
Núpcio eterno,
De criança.

Amor que nunca diz não,
Pois não há perguntas.
Pago, novo no amanhã.
curtido, vacilo,
Gêmeo ao meu.

Amor faminto, seco,
Carnívoro,
De paletó e gravata.

Amor gratuito, fingido,
Que mata.

Amor de dois,
Sem depois.

Amor chulo, burro,
Como o dos outros mortais.

Amor perdido em canções
Comerciais.

Amor de esquina, bruto, gasto.
Amor-alma, lama, pressa e perfume.
Amor à deriva, volumoso, sedento.
Amor-agora, sem outros tempos.

E falho, fálico, orgástico.

Amor breve.
Antes que a campainha soe,
E outro amor desse o leve.

Nenhum comentário:

Postar um comentário