24 de abr de 2012

Soneto


Em cada barraco muita gente
Que só quer espaço pra morar no Rio.
Não sabem que lhes falta aquilo que se sente
Quando, vendo-os, perplexo, sorrio.

Em cada porta, portinha, onde se encontram brasileiros,
Que têm a desigualdade no mesmo quarto,
Pesquisam, escutam, ouvem tudo, até tiroteios,
E aumentam os problemas, os fardos.

Muitos nordestinos-cariocas,
Que trazem nas costas tudo,
Pra tristeza ou surpresa minha.

Estupendos fios, ruídos, fofocas,
Saúde em eterno luto,
E eis aqui a cidade da Rocinha.

Nenhum comentário:

Postar um comentário