1 de ago. de 2012

Receita pra fazer artigo


Pegue um livro
outro livro
outro livro
Espalhe tudo sobre a mesa.

Pegue um xerox
outro xerox
outro xerox
outro xerox
outro xerox
outro xerox
outro xerox
Amontoe tudo sobre a mesa.

Óculos
Café Cigarro
Café Cigarro
Cigarro Café
Cigarro Cigarro
Cigarro
Café Café

A folha em branco.

Anote:
Nunca deixe para a última hora.



31 de jul. de 2012

Irregular


Às 21h ele chegou
Sentou no meu colo
Beijou como o passado
Abriu as janelas de uma gaiola
Onde os pássaros já se calavam.

Às 22h ele bebeu
Deitou no colo que era meu
Sorriu e sussurrou
As palavras que querem ouvir
Os perdedores.

Às 23h eu o amei.
Com o amor puro
Do rio que corre
E atravessa a cidade
Sem lembrar-se do que viu no caminho.



19 de jul. de 2012

Oração


Sem sabor de café quente,
quando aperta o coração,
e as mãos tremem de receio,
o pensamento da gente
se refaz em oração
de ladainhas sem freio.

Da juventude volta a antiga
emoção de crer em Deus
e se exalta de joelhos
enquanto dos olhos pinga
lágrima de filhos seus.

Perdoa, Pai, pelas vezes,
que quieto no meu canto,
no pensar na minha vida,
esquecia todos os seres,
que derramam tanto pranto,
e que não veem saída.

Há sempre algo escondido
para a inquieta razão,
que ainda prevalece.
Porém, eu fico Contigo,
já sorrindo, em oração,
pelo amor de que não esquece.

A Seus pés e mãos chagados,
a Seu olhar de dor suprema,
à imagem da Santa Cruz,
ergo olhos marejados
e uma fé grande e serena
e peço, Deus, me conduz!


28 de jun. de 2012

A minha alma

Não me cubro da mesma forma todos os dias.
Apesar de produto, um impulso não-convencional
me faz sair dessa coisa menos pior
para aprimorar as palavras.

O tempo não é angústia
para quem está numa sociedade histórica,
mas um semideus cruel,
na tentativa de abstrações da realidade,
algo que faça sentido,
nos ponteiros de um relógio.

O ciclo continua,
à espera de uma barbárie
para que venha outra vez o Messias
e restaure as ruínas passadas.

Passado um minuto
do horário marcado,
o abismal leva o sujeito
ao mergulho.

E os funcionamentos da memória,
requerendo experiências
e códigos
veem apenas o óbvio.

Quantas vezes o mistério
da vó era um boi!
__ Ele dança gracioso, meu filho,
balança como bailarina da cidade,
até enterrar o chifre no peão desafinado...

Como recuperar os cacos dessa imagem?
A minha alma foi feita de vidro...

Favor não esquecer
que os pedaços colados
não querem reinventá-la.

Querem mostrar o quão foi importante
ser quebrada.

20 de jun. de 2012

Da Getúlio à Federal: 541 - eu em movimento.


Os pombos dão rasantes inquietas na Praça da Estação
e o Renascença já não consegue fazer jus ao nome.
O tempo, incólume, insensato divide o momento e o pretérito
em que Halfeld “fundava” a história juiz-forana.

Em cada esquina um grande mercado trocando,
com os trabalhadores, os trocados.
Pedra, ferro e cimento cortando as árvores,
e delas, o ar de uma nova Juiz de Fora.

O Universo Gráfico de Glauco Rodrigues enfeita a casa,
também universal, de Murilo Mendes.
Enquanto a Itália tenta se fazer lembrada
com suas massas-banquete para ricos.

Nada escapa. O alarido tão famoso da modernidade
também distancia, não toca.
E mais grades protegem os grandes.
Homem-bicho em sua toca.

São Roque espremido entre os arranha-chãos
e tudo rodeado da necessidade de falar inglês.
Universo, que não abrange o essencial,
Santa Glória e seu rotineiro eco papal.

Morros! Morro de cansaço!
Passo, passo a passo eu passo.
E tudo se esvai, pela praça nova do prefeito,
pelo “agora posso ter o meu lar”,

por um “pelo sinal da cruz”,
perdido na mão do pedinte,
pelos pérfidos pueris,
no Privilège de poucos...

E ponho perdida a tinta
por fazer perfil da cidade,
ficando somente um ponto,
na visão de muitos planos.

Quando chega o ponto final,
e, obrigado, desço do ônibus,
perco a criatividade
e entro na sala do mestrado.