31 de out. de 2011

Perigo

Perigo:

Consenso
Mente aberta
Livro
Criação.

Perigo:
Silêncio
Trigo
Salvação

Perigo:
Pós
Sexo
Emoção

Perigo:
Aquele
Entrega
Desilusão

Perigo:
Rimas
Pobres
Coração.

Bisavó

Sonhei com você esta noite.
Vestida de chitão.
Vestida de vestido.
Cabelinho curto
de quando ainda
não estudava geologia
nos "campos santos".
Olhava-me com ternura
em estado graça.
Buscava-me com os braços
abertos a uma criança.
Recebi o abraço
triplamente materno
aconchegando-me em seu colo.
Mas há covardia.
Houvesse o contrário,
iria a seu encontro.

Avenida Itamar Franco

Por tanto amor,
eu merecia um adeus.

Pelas madrugadas de álcool,
reviver a ternura
de antigas manhãs com você.

Lá fora soa,
mais uma vez,
o trem das treze horas.

Abro os olhos,
colantes de dor e pranto.

Mas a angústia é antiga.
De novo,
Só a Avenida Itamar Franco.

Fazer poesia

Qualquer texto vale pela circunstância que preside o seu nascimento.
Este, nascido quando os óculos me faltam, serve para demonstrar as utopias nascidas de um tempo em que a noite se resumia a um pós-vodca, cigarro e Sartre:

Um cão rói ossos na janela vizinha.
Sozinho, ouço o cantar de um galo,
Não muito distante.
Mas ainda são três da manhã.

Enganam-se os galos
Quando soltam seus lamentos
antes de amanhacer o dia.

Muitos ignoram o prazer
de perceber isso nas cidades.

Galos na roça
anunciam manhãs.
Na cidade,
anunciam fracassos.

As luzes confudem-nos
clareiam o espaço destinado à dor.

E é pos isso que se canta à noite.
Só por isso, fazer poesia é justo.

Fazer música do desencanto,
do tédio e da dor
transfere ao papel
a irresistível vontade
de ser feliz.

Ainda que tarde,
quando o Sol nascer
e dissipar qualquer loucura
pronta a ir dormir,
a dar lugar
a mais um dia
de trabalho.

Obsoneto

Enxergo tribunais da Inquisição
e fornos crematórios em toda parte.
Em salas positivas, vejo o não
à Crítica, à Estética, à Arte.

Homem de veste angelical
de passados terrenos escondidos
e de bolsos cheios do vil metal
trazidos para si, através dos ritos.

Enquanto ovelhas berram a canção,
excomungando o maldito, que num canto late.
Exauridos de qualquer forma de razão,

Gritam poetas, palavras-boceta-pau
Que Ciência? Política? Mitos?
Há na mente do passional?