A cidade amontoou-se sobre pântano diverso
Assemelhando-se seus membros a sapos e pererecas
Que de difícil tarefa, a de transformá-los em verso,
Julga, sublime comparação, o poeta.
Porque sem direito à devida resposta em linguagem,
Pede-se perdão aos nobres seres puladores
Por receberem dos humanos tal roupagem
Se não o são, como tais, bajuladores.
Em bela corja, acrítica, de mentes provincianas,
Vivem sem sina, cômodos, felizes,
Homens-sapos, inchados de tão bacanas
Que nada o peito, no fundo, sensibilize.
E mulheres semi-amadas, comportadas, de ar frívolo
Em verdade, antítese da história do santo padre,
Que teve a língua, intacta, encontrada em túmulo
Já que a delas, de serpente graciosa, arde.
E muitos são os perfeitos, modelos como o poeta foi!
Ainda que progridam, sem amor e sem verdade...
Mascaram-se sapos, ausência de identidade
Poema antigo, estampa farsa, que foi!
Poeta já foi rei?
Não foi!
Foi!
Foi!
Não foi!
6 de mar. de 2012
26 de fev. de 2012
Antiode (a favor da profundidade)
Estou farto de gente.
Desta gente.
Porcos todos!
Pouco! Todos!
Inúteis!
Eles têm orgulho em ver um amigo modelo fazendo sucesso,
Na Marie Claire.
Aplaudem e entoam cânticos etéreos para o novo apresentador do jornal,
Alterosa Alerta Sensacionalista.
Defendem com palavras e argumentos a vida de um nobre cidadão,
Do Big Brother Brasil.
Protagonizam caminhadas em um ‘viva!’ à juíza de direito,
Que mandou prender um traficante.
Estão ligados ao mundo pela internet,
E postam “indo pro banho”.
Reportam ao mais alto nível o grande economista e sua receita financeira de início de ano,
Não gastar mais do que se tem.
E continuam na mesma linha global:
Morte, drogas, morte, roubo, morte, fome, morte...
E os gols da rodada.
Por favor.
Queria cerrar os ouvidos, os olhos, a boca,
E apenas cheirar o fácil, o óbvio e o podre.
Desta gente.
Porcos todos!
Pouco! Todos!
Inúteis!
Eles têm orgulho em ver um amigo modelo fazendo sucesso,
Na Marie Claire.
Aplaudem e entoam cânticos etéreos para o novo apresentador do jornal,
Alterosa Alerta Sensacionalista.
Defendem com palavras e argumentos a vida de um nobre cidadão,
Do Big Brother Brasil.
Protagonizam caminhadas em um ‘viva!’ à juíza de direito,
Que mandou prender um traficante.
Estão ligados ao mundo pela internet,
E postam “indo pro banho”.
Reportam ao mais alto nível o grande economista e sua receita financeira de início de ano,
Não gastar mais do que se tem.
E continuam na mesma linha global:
Morte, drogas, morte, roubo, morte, fome, morte...
E os gols da rodada.
Por favor.
Queria cerrar os ouvidos, os olhos, a boca,
E apenas cheirar o fácil, o óbvio e o podre.
22 de fev. de 2012
Preguiça carnavalesca.
Três são aqueles que pululam o Carnaval:
os que se sentem felizes com qualquer foto,
os que se assentam nas latas de lixo,
e os que acreditam em constelações de sóis.
Daqueles, trago lembranças coloridas,
beijos e rumores do que poderia ter sido,
não fosse a ausência de amores.
Desses, trago o olhar canhoto,
insosso e metido à solidão,
silencioso, de ar contido.
Destes, trago a etérea ilusão:
a felicidade faz-se sempre omissa à face!
E nas cinzas da quarta-feira,
o que vale
é a preguiça que meu peito invade.
os que se sentem felizes com qualquer foto,
os que se assentam nas latas de lixo,
e os que acreditam em constelações de sóis.
Daqueles, trago lembranças coloridas,
beijos e rumores do que poderia ter sido,
não fosse a ausência de amores.
Desses, trago o olhar canhoto,
insosso e metido à solidão,
silencioso, de ar contido.
Destes, trago a etérea ilusão:
a felicidade faz-se sempre omissa à face!
E nas cinzas da quarta-feira,
o que vale
é a preguiça que meu peito invade.
18 de jan. de 2012
Sentes?
Estou no palco do medo real
Entre vidas corridas contendo
Mais que olhares isentos
De culpa, dor ou tal
Lembrança do ido,
doído.
O que ficou não foi só memória
Nem recortes em papéis, jornais
Mais que mãos tremendo
De não sei quê, mal
Interior, cor roído,
corroído.
Os pés em pé e o corpo deitado.
Entre desenhos no teto
Mais que turva visão
De lamento, cansaço,
Nervos de aço,
desabraço.
Na força estranha do perdão
Nem acordes, cafés, cigarros
Mais que o vazio do triplo não
De esperar, tempo lá
Distante lá,
lamento.
Não basta só passar o vento
Entre cortes, pulsos, pescoço
Mais que ausência de entendimento
De gratidão, trabalho árduo
Se enganar,
esganar.
E tudo quanto pôde ser e não foi
Nem o positivo fazer-se saudoso
Mais que as marcas, marcas
De visíveis ais de dor
Sem sibilar,
sensibilidade.
Entre vidas corridas contendo
Mais que olhares isentos
De culpa, dor ou tal
Lembrança do ido,
doído.
O que ficou não foi só memória
Nem recortes em papéis, jornais
Mais que mãos tremendo
De não sei quê, mal
Interior, cor roído,
corroído.
Os pés em pé e o corpo deitado.
Entre desenhos no teto
Mais que turva visão
De lamento, cansaço,
Nervos de aço,
desabraço.
Na força estranha do perdão
Nem acordes, cafés, cigarros
Mais que o vazio do triplo não
De esperar, tempo lá
Distante lá,
lamento.
Não basta só passar o vento
Entre cortes, pulsos, pescoço
Mais que ausência de entendimento
De gratidão, trabalho árduo
Se enganar,
esganar.
E tudo quanto pôde ser e não foi
Nem o positivo fazer-se saudoso
Mais que as marcas, marcas
De visíveis ais de dor
Sem sibilar,
sensibilidade.
3 de jan. de 2012
Sentimentais
A verdade dói
A dúvida corrói
A mentira destrói
E o pintinho piu
(tive de registrar isso que li navegando).
A dúvida corrói
A mentira destrói
E o pintinho piu
(tive de registrar isso que li navegando).
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